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INCLUSÃO, EDUCAÇÃO E TRABALHO

"NA SOCIEDADE INCLUSIVA NINGUÉM É BONZINHO. Ao contrário. Somos apenas – e isto é o suficiente – cidadãos responsáveis pela qualidade de vida do nosso semelhante, por mais diferente que ele seja ou nos pareça ser. Inclusão é, primordialmente, uma questão de ética."

(Cláudia Werneck1, 2009)

Homem cadeirante, mulher com Síndrome de Down, homem cego e mulher surda em avenida movimentada.

No Brasil, educação e mercado de trabalho são duas áreas prioritárias para a efetivação da promoção da igualdade e da inclusão social2. Não é difícil imaginar os motivos para isso.

A educação possibilita o desenvolvimento do potencial dos indivíduos e a formação não somente para o trabalho, mas para a vida em sociedade. Segundo a Unesco3, a educação neste novo milênio deve buscar fundamentalmente quatro aprendizagens: aprender a ser, aprender a fazer, aprender a conhecer, e aprender a conviver.

Trabalho é meio para garantir a subsistência pessoal e familiar. Além disso, promove interação social, sentimento de pertencer, realização pessoal, desenvolvimento da autoestima, senso de dignidade e utilidade e o exercício da cidadania.

DIVERSIDADE HUMANA E DEFICIÊNCIA

Você já pensou que um corpo com deficiência é uma expressão da diversidade humana? Que existem várias maneiras de existir no mundo e de habitar os corpos? Que a deficiência pode possibilitar experiências singulares e ricas de significado que o sujeito não teria não fosse essa característica de si?

Faz sentido para você constatar que o fato de as pessoas serem ou não capazes de realizar uma função como ver, ouvir, andar, ou falar de determinado modo, não significa que elas sejam melhores ou piores? Significa apenas que são diferentes?

O comportamento que hierarquiza as pessoas em função de um ideal de perfeição, de adequação, de "normalidade" e de capacidade funcional pode ser denominado CAPACITISMO e se assemelha a outras formas de preconceito e opressão social, como o sexismo, o racismo, a homofobia4.

Rejeitar o entendimento de deficiência como uma tragédia pessoal, como um "problema" do indivíduo, e compreendê-la como um resultado da interação entre o indivíduo que possui uma limitação física, sensorial e/ou mental e o ambiente físico e social ao seu redor é um legado do modelo social da deficiência5.

O modelo social vai nos indicar que exclusão social, laboral ou educacional, não é uma consequência "natural" da existência da deficiência, mas do fato de a sociedade estar despreparada para lidar com as diferenças, talvez pelo fato de ter sido organizada POR pessoas sem deficiência PARA pessoas sem deficiência6.

Ressignificar a deficiência e as crenças que possuímos sobre capacidades/incapacidades, normalidade/anormalidade é fundamental para o desenvolvimento de práticas inclusivas, qualquer que seja o contexto: social, familiar, escolar, laboral, etc.

O que pensamos sobre a deficiência impacta como iremos lidar com a deficiência.

Contorno do perfil do rosto de uma mulher onde aparecem dentro do rosto dela dezenas de outros rostos de pessoas, simbolizando a diversidade humana.

E O QUE É DEFICIÊNCIA, AFINAL?

Ao longo dos anos, a concepção acerca do que é a deficiência, os termos usados para denominá-la(s) e o tratamento destinado às pessoas com deficiência modificaram-se e avançaram, acompanhando o desenvolvimento das sociedades diante das descobertas científicas e da maturidade dos movimentos de defesa de direitos humanos.

Houve época em que pessoas com alguma deficiência não eram consideradas humanas ou eram classificadas como inválidas (sem valor), aleijadas, incapazes ou aberrações. Difícil de acreditar, não é?

Na antiguidade, em vista da concepção de homem ideal, perfeito, a deficiência é vista como um obstáculo intransponível e o resultado é a exclusão social praticamente completa dessas pessoas.

Na idade média, a deficiência é entendida como resultado do desejo divino e as pessoas com deficiência são vistas como objeto de compaixão e piedade. O resultado são as práticas de segregação, com a internação dessas pessoas em instituições de caridade.

A partir das ideias iluministas, da revolução industrial, da evolução do capitalismo, da ciência e da medicina, do desenvolvimento da estatística e do conceito de "normalidade", e das grandes guerras, a deficiência passa a ser vista como um desvio, ou um problema a ser corrigido. O "deficiente" precisa ser tratado e adequado para estar em sociedade. As práticas de reabilitação passam a ser um caminho para a "integração social".

Rostos de um homem e de uma mulher de forma pouco nítida, tentando mostrar pessoas sem vincular a nenhum estereótipo de pessoa com deficiência.

Para fugir desse estereótipo de deficiente,
adotou-se o termo "pessoa portadora de deficiência" (PPD), enfatizando-se em primeiro plano, pela primeira vez, a "pessoa" que tem a deficiência. Todavia, o termo "portador" não se mostrou adequado, pois algo que se porta é algo que se pode deixar em algum lugar, ou seja, algo não inerente à pessoa, o que não é o caso da deficiência!

Com os movimentos sociais de luta por direitos, a compreensão da deficiência como intrínseca ao indivíduo e como expressão da diversidade humana, e a difusão das ideias do modelo social da deficiência, desloca-se a questão da deficiência do nível individual para o nível social, e o resultado é a necessidade de adequação da sociedade para promover a INCLUSÃO de todas as pessoas nos diversos espaços sociais.

Atualmente, o termo correto a ser utilizado é "pessoa com deficiência", cuja sigla é PcD, pois prioriza o sujeito, a pessoa, e considera, sem eufemismos, o fato de se possuir uma deficiência.

PcD pessoa com deficiência escrito entre ramos de louro

POR QUE OS MOVIMENTOS SOCIAIS DE PcD OPTARAM PELO TERMO "PESSOAS COM DEFICIÊNCIA"?

Pessoas com deficiência querem e devem ser vistas, primeiramente, como sujeitos de direitos. Trata-se de um processo de afirmação e empoderamento. As pessoas com deficiência engajadas na luta pelo reconhecimento não querem esconder ou camuflar a sua deficiência e, por isso, não se identificam com expressões do tipo: pessoas especiais, portadoras de deficiência, portadores de necessidades especiais, inválidos, incapazes ou excepcionais.

Ou seja, é preciso entender que as PcD também possuem direitos e deveres para com a sociedade, são capazes de exercer plenamente sua função social, necessitando – como todas as pessoas - de condições adequadas para o exercício de seus deveres sociais e também para o usufruto de seus direitos.

Atleta com prótese na perna em direção ao salto de barreiras em cenário lúdico e cheio de cores.
As barreiras, de qualquer tipo, podem agravar as dificuldades enfrentadas por essas pessoas, tirando-lhes direitos. Você já se imaginou sem direitos?
Complicado, não é?

Com a identificação da pessoa com deficiência como sujeito de direitos, procura-se a concretização de uma vida humana digna e plena. Para isso, o direito à dignidade humana pressupõe reconhecer e valorizar a diversidade humana e as necessidades decorrentes da deficiência.

Esse termo entrou no ordenamento jurídico nacional com o Decreto nº 6.949, de 2009 – que promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, e seu Protocolo Facultativo, como texto constitucional.

Vamos ver e ouvir qual o conceito legal de "Pessoas com deficiência":

"Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas." (Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência – Art. 1°)

Essa nova percepção tira o foco das limitações funcionais das pessoas com deficiência e atribui mais importância às limitações impostas pela sociedade, que impedem a plena participação social das pessoas com deficiência.

A frase da arquiteta e cadeirante Thaís Frota resume bem isso: "Se o lugar não está pronto para receber TODAS as pessoas, esse lugar é deficiente." E nessa frase estamos falando apenas de uma barreira física, por exemplo. E as barreiras sociais? E as barreiras de comunicação?

Cancela de estacionamento fechada, simbolizando as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência.

Nesse contexto que estamos tratando,
o que é uma barreira?

É um outro conceito que vale a pena entender.

Barreira é qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classificadas em:

Calçada desnivelada e quebrada.

Barreiras urbanísticas

As existentes nas vias e nos espaços públicos e privados abertos ao público ou de uso coletivo, como locais sem calçamento ou semáforos sem aviso sonoro.
Grande escadaria dentro de um prédio.

Barreiras arquitetônicas

As existentes nos edifícios públicos e privados, como balcões muito altos para cadeirantes e pessoas anãs, elevadores estreitos ou espaços abertos sem identificação no piso para cegos.
Mulher cadeirante em frente a ônibus não adaptado.

Barreiras nos transportes

As existentes nos sistemas e meios de transportes, como catraca muito estreita, metrô sem anúncio sonoro, escada de acesso a aviões.
Homem cego com celular na mão representando uma dificuldade de acesso a determinado conteúdo.

Barreiras nas comunicações e na informação

Qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação. Mensagem apenas visual na televisão, informação apenas sonora em aeroportos, formulário que só possa ser preenchido de determinada forma são exemplos desse tipo de barreira.
Menina com Síndrome de Down chateada e grupo de outras crianças atrás apontando e a ridicularizando.

Barreiras atitudinais

Atitudes ou comportamentos que impeçam ou prejudiquem a participação social da pessoa com deficiência em igualdade de condições, como a recusa de emprego a uma pessoa com deficiência mesmo que ela consiga desempenhar a tarefa como alguém sem tal deficiência.
Mulher surda com dificuldade com celular tocando um áudio ou música.

Barreiras tecnológicas

As que dificultem ou impeçam o acesso da pessoa com deficiência às tecnologias, como um computador não adaptado para uma pessoa com paralisia.
Cenário de cidade com quatro pessoas com mobilidade reduzida: uma mulher grávida, um homem idoso com bengala, uma mulher com uma criança de colo e um homem obeso. Há também um balão com um ícone para acessar o áudio com o depoimento de uma pessoa que ficou impossibilitada temporariamente de andar.

Não são somente as pessoas com deficiência que necessitam de adequações para a participação social. Qualquer pessoa poderá, em algum momento de sua vida, necessitar de algum tipo de adaptação ou adequação do ambiente para exercer suas atividades.

VOCÊ SABE QUAL O CONCEITO DE PESSOA COM MOBILIDADE REDUZIDA?

A pessoa que tem, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação, permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da percepção. Isso pode acontecer em decorrência de um acidente, de alguma condição de saúde ou doença, ou da própria passagem do tempo, no caso de algumas pessoas idosas.

Transcrição do depoimento do João

Olá! O meu nome é João e queria partilhar com vocês que estive impossibilitado de andar por um período. Antes disso, nunca havia pensado nas dificuldades que as pessoas que precisam de cadeira de rodas passam.

Nem todas as portas são de tamanho adequado. As calçadas, ou a falta delas, é algo que torna inviável sua locomoção para qualquer lugar. E os meios de transporte? Totalmente inadequados.

Hoje em dia, minha visão de mundo mudou. Não preciso mais da cadeira de rodas, mas a todos os lugares que vou, fico pensando em como acessaria durante o tempo em que precisei.

Por isso, hoje, trabalhando com informática, em tudo o que faço me questiono o que posso melhorar para que mais e mais pessoas acessem e usufruam os benefícios do que produzo.

COMO ATENDER ÀS NECESSIDADES DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, COM MOBILIDADE REDUZIDA E DE TODAS AS PESSOAS, EM GERAL?

Para responder essa questão, é preciso conhecermos o conceito de "Acessibilidade".
Grupo de jovens, incluindo uma cadeirante, conversando de forma descontraída em cenário ao ar livre construído de forma lúdica e cheio de cores.

ACESSIBILIDADE Ferramenta para a INCLUSÃO

Respeitar e compreender o valor da diversidade humana exige, muito além de boa intenção, realizar ações que viabilizem condições de equidade.
Acessibilidade:
"Possibilidade e condição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida".
(Art. 3° da Lei Brasileira de Inclusão Lei n° 13.146/2015)
Quatro representações de acessibilidade em ambientes: piso tátil para cegos, rampa de acesso, meio fio rebaixado e sistema de aro magnético portátil.

Acessibilidade é um

atributo

essencial do ambiente,

que garante a melhoria da qualidade de vida das pessoas e deve ser promovida para atender à coletividade, gerando resultados sociais positivos e contribuindo para o desenvolvimento inclusivo e sustentável.

Como princípio, a acessibilidade determina que as concepções de todos os espaços e formatos de produtos e serviços permitam que as pessoas, independentemente de limitações físicas, intelectuais ou sensoriais, possam ser suas usuárias legítimas.

Parada de ônibus com três pessoas, incluindo um cadeirante, e duas outras pessoas caminhando em direção ao local. A porta do ônibus está muito acima do nível da calçada, simbolizando a barreira no transporte. Animação de uma enorme mão rebaixando o ônibus. O cenário surreal traz a ideia de uma correção da situação, possibilitando agora a entrada no ônibus por qualquer pessoa.
A acessibilidade é um direito que visa assegurar o máximo possível de autonomia, segurança, conforto e dignidade para quem dela usufrui. Também pode ser vista como uma garantia, posto que é também um direito fundamental para o alcance dos demais direitos.

Quando a inclusão de PcD é incorporada como um valor para as organizações, as medidas de acessibilidade estão presentes desde a concepção até a avaliação de ambientes, produtos, processos de trabalho e serviços.

A Acessibilidade passa a ser um fator implícito no planejamento organizacional utilizando o conceito de "Desenho Universal".

Desenho universal

Concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem utilizados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo tecnologia assistiva (Lei Brasileira de Inclusão).

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elabora parâmetros técnicos de acessibilidade segundo preceitos do desenho universal, destacando-se:

NBR 9050 – referente à acessibilidade arquitetônica e urbanística; e
NBR 15599 – referente à acessibilidade na comunicação
Pessoas com e sem deficiência e outras com mobilidade reduzida.

VOCÊ JÁ SE DEPAROU COM UMA PESSOA COM ALGUMA DEFICIÊNCIA E NÃO SOUBE COMO FALAR OU COMO FAZER PARA PODER AJUDÁ-LA?

A INCLUSÃO DAS PcD NOS CONTEXTOS DE TRABALHO

Vai ficando mais fácil perceber que, para realizar a efetiva INCLUSÃO das PcD nos contextos de trabalho nas organizações, é preciso garantir acessibilidade urbanística, arquitetônica, informacional, comunicacional, tecnológica e, sobretudo atitudinal.

É preciso que as pessoas estejam abertas a conviver com alguém que possui uma deficiência. Reconhecer as dúvidas, possíveis embaraços, ideias preconcebidas para, então, dirimi-los e buscar uma convivência que garanta a expressão e o desenvolvimento das competências, a sinergia do grupo, a produtividade aliada ao sentimento de bem-estar no trabalho e as potencialidades criadas pela diversidade nas equipes de trabalho.
Lembre-se: um espaço inclusivo é um espaço bom para todos!

As dicas apresentadas nos vídeos podem ajudar nesse propósito. E vamos ver alguns outros aspectos importantes que devem ser observados por colegas e gestores no intuito de promover a real inclusão no contexto de trabalho:

  • Ofereça condições adequadas de trabalho. Isso inclui todas as formas de acessibilidade e eventualmente o uso de tecnologias assistivas.
    Adequação e suporte são essenciais para todo trabalhador. Considere!
  • Compreenda e respeite as limitações. Cada pessoa – independente de possuir uma deficiência – tem seus tempos e seu ritmo de trabalho.
    Entenda que as pessoas são diferentes e que a diversidade agrega valor!
  • Ofereça oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional. Muitas vezes os trabalhadores com deficiência têm suas possibilidades limitadas por crenças equivocadas acerca de seu potencial de desempenho e de suas capacidades.
    Pergunte, converse, dê feedback!
  • Dê espaço, liberdade, autonomia e voz. Pessoas que participam da organização do trabalho são mais comprometidas e realizadas profissionalmente.
    Boas relações socioprofissionais e espaços de diálogo são fundamentais para o bem-estar no trabalho!
  • Respeite as necessidades de jornada reduzida. Algumas PcD necessitam de horário especial, para evitar sobrecarga física e/ou possibilitar tratamentos e reabilitação. Pode ser que, mesmo com jornada reduzida, uma PcD produza igual ou mais do que outra. Pode ser que não.
    Independentemente disso, todas as pessoas têm direito ao trabalho.
  • Cuide para que os processos seletivos considerem a diversidade e para que haja justiça desde a entrada na organização.
Suporte e inclusão = qualidade de vida no trabalho e produtividade = cidadania e dignidade
"Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças."
Mantoan, 2003. Professora especialista em inclusão escolar.
A Câmara dos Deputados é uma dessas organizações que se dedicou a dar esse olhar às PcD. Ela vem oferecendo, desde 2004, produtos, serviços, informações e ações em seus ambientes para possibilitar acessibilidade a todas as pessoas. Acesse e conheça! Na página no portal da Câmara você vai encontrar notícias, normas, artigos, publicações, filmes e outros recursos que vão lhe possibilitar um aprofundamento no assunto.
Homem cego em um computador com fones de ouvido navegando pela página da Coordenação de Acessibilidade no site da Câmara dos Deputados.

DESIGN UNIVERSAL PARA A EDUCAÇÃO

Um grupo de profissionais e pesquisadores de design ambiental do Centro para o Design Universal da Universidade Estadual da Carolina do Norte sugeriu sete princípios com o propósito de desenvolver diretrizes para a criação de ambientes acessíveis para todos. Desses princípios derivaram exemplos para a aplicação na área de educação (Desenho Universal para a Instrução, sigla em inglês UDI7):
1. Uso equitativo ou equiparável. O design é útil para todos.
Em educação, significa planejar o processo de ensino para pessoas com capacidades diversas. Os mesmos meios podem ser proporcionados a todos os alunos e quando não for possível, deve-se prover um equivalente. Ex: audiolivros para pessoas cegas ou para disléxicos.
2. Flexibilidade de uso. Amplo leque de habilidades e preferências individuais.
No planejamento educacional significa promover oportunidades de escolhas para os alunos. Exemplo: variedade do acesso de fontes (livros, entrevistas, sites, documentos); formas diversas de realização de um trabalho final; variação do formato de provas.
3. Simplicidade e intuitividade. Fácil compreensão e uso.
Exemplo: materiais didáticos e atividades em sala de aula devem ser simples de acompanhar; apoio de colega ou professor pode ser ofertado durante tarefas e trabalhos; explicação clara dos resultados esperados.
4. Informação perceptível. Comunica de maneira fácil e eficaz o necessário, independente das condições ambientais ou das capacidades sensoriais do aluno. Exemplo aplicado: impressões com letra ampliada para estudantes com baixa visão; possibilidade de gravar a aula; uso de legendas nas mídias visuais.
5. Tolerância ao erro. Minimizando o risco de ações involuntárias ou equivocadas.
Aplicação no ensino: o educador prevê variações no ritmo de aprendizagem e nas habilidades necessárias. Exemplo: previsão de entrega do trabalho em partes, para receber feedback e acompanhar o ritmo; modificação da taxa, volume e complexidade das tarefas, conforme o caso.
6. Mínimo esforço físico. Promover conforto e eficiência e evitar fadiga.
Aplicação no ensino: minimizar o desgaste físico para privilegiar o máximo de concentração na aprendizagem em questão. Exemplos: configuração da sala de aula de forma que permita a mobilidade de alunos com cadeira de rodas; oferta de textos em formato digital ou de áudio.
7. Tamanho e espaço para acesso e uso. De forma a facilitar o alcance e manipulação independentemente do tamanho, da postura ou da mobilidade do corpo do usuário ou aluno. Exemplos na educação: mobiliários ajustáveis, disposição dos assentos, maçanetas em portas e armários em altura adequada.
Além disso, especialistas da Universidade de Connecticut acrescentaram à lista de princípios dois conceitos:
8. Uma comunidade de alunos. O ambiente educacional promove interação e comunicação entre alunos e alunos e docentes.

9. Clima de aprendizagem. A aprendizagem é projetada para ser acolhedora e inclusiva. Há expectativas elevadas em relação a todos os alunos, constantemente transmitidas e respeitando a diversidade. O feedback aos alunos é permanente.
Isso porque um ambiente interativo, a formação de uma verdadeira comunidade educacional, com clima acolhedor e inclusivo, favorecerem, sobremaneira, a aprendizagem e a efetividade do processo educacional para todos os envolvidos.

ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO NAS ESCOLAS DE GOVERNO

Nos últimos anos, muito se tem discutido e publicado no Brasil acerca da inclusão nas escolas. Mais recentemente a preocupação com o tema e a demanda social chegam às universidades e às escolas de governo, especialmente voltadas para o público adulto.

O Centro de Formação, Treinamento e Aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados e a Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), entre outras, têm desenvolvido esforços para promover a inclusão em seus ambientes administrativos e educacionais.

A ENAP8 organizou e sistematizou suas ações em quatro eixos, que correspondem às principais barreiras que prejudicam a participação plena das PcD e das pessoas com mobilidade reduzida, e que podem ser orientadoras e inspiradoras para outras Escolas:

1. INCLUSÃO SOCIAL E FUNCIONAL
VISA AMPLIAR A VISIBILIDADE E A EFETIVA PARTICIPAÇÃO DAS PcD NOS AMBIENTES E ATIVIDADES DA ESCOLA.
Exemplos de ações realizadas
pelas duas escolas em cada eixo
Inclusão Social e Funcional
  • Viabilizar e divulgar recursos de acessibilidade disponíveis.
  • Sistema de inscrição em cursos com campos para informar a deficiência e a necessidade de recursos de acessibilidade.
  • Acesso e permanência de servidores e estagiários com deficiência.
2. ACESSIBILIDADE ARQUITETÔNICA E URBANÍSTICA
VISA À ELIMINAÇÃO DE BARREIRAS ARQUITETÔNICAS E URBANÍSTICAS NAS DEPENDÊNCIAS E IMEDIAÇÕES DA ESCOLA.
Exemplos de ações realizadas
pelas duas escolas em cada eixo
Acessibilidade Arquitetônica e Urbanística
  • Reformas que contemplem as normas técnicas vigentes.
  • Participação na resolução de problemas de acessibilidade no entorno da Escola (trânsito de pedestres, ponto de ônibus, sinalização, etc).
3. ACESSIBILIDADE COMUNICACIONAL E TECNOLÓGICA
VISA AMPLIAR A VISIBILIDADE E A EFETIVA PARTICIPAÇÃO DAS PcD NOS AMBIENTES E ATIVIDADES DA ESCOLA.
Exemplos de ações realizadas
pelas duas escolas em cada eixo
Acessibilidade comunicacional e tecnológica
  • Adequação, desenvolvimento e disponibilização de conteúdos em formatos acessíveis (disponíveis para leitura com aplicativos leitores de tela, com legenda em português e em libras).
  • Oferta de serviços de audiodescrição e libras em eventos e produções audiovisuais.
  • Divulgação e disponibilização de tecnologias assistivas.
4. INOVAÇÃO E EDUCAÇÃO INCLUSIVA
ABRANGE O DESENVOLVIMENTO E A PROSPECÇÃO DE CONHECIMENTOS, MECANISMOS E ESTRATÉGIAS DE GESTÃO INCLUSIVA QUE ABORDEM A TEMÁTICA DA DEFICIÊNCIA PELA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS.
Exemplos de ações realizadas
pelas duas escolas em cada eixo
Inovação e Educação Inclusiva
  • Desenvolvimento de cursos e eventos educacionais com temáticas relacionadas à deficiência e com o objetivo de educar para a diversidade.
  • Capacitação dos próprios servidores para a melhoria no atendimento ao público com deficiência, planejamento e organização de eventos acessíveis.
  • Troca de experiências de gestão de inclusão na administração pública.
  • Revisão de conteúdos de cursos para adequação a Lei Brasileira de Inclusão (Lei n. 13.146/2015).

Exemplos de tecnologias assistivas existentes na ENAP e/ou no Cefor:

Ícone de uma cadeira de rodas.

MOBILIÁRIO
  • Mesa e cadeira separadas
  • Mesa para usuários de cadeiras de rodas
  • Cadeiras mais largas (obesidade)
  • Cadeiras de rodas

Ícone do símbolo da Libras.

SERVIÇOS
  • Audiodescrição
  • Interpretação em libras
  • Condição de posicionamento e iluminação para leitura labial
  • Auxílio na leitura e na escrita (ledor/transcritor)
  • Programa de Acessibilidade/Inclusão

Ícone de um computador.

EQUIPAMENTOS E TECNOLOGIAS
  • Lupa digital para ampliação de texto na tela do computador
  • Sistema narrador e programa de leitura de telas
  • Recurso de alto contraste para visualização da tela
  • Teclado virtual, que permite ampliar letras e ajustes de cores e contrastes
  • Mouse: opção de ampliar tamanho do cursor, cores e forma de interações com os objetos em tela
Depois de todos esses conceitos e agora que você já conhece um pouco do que fazemos, vamos à prática?

TESTE AGORA NESSE QUIZ SE VOCÊ SABE FALAR SOBRE AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA!

 

Datas importantes relacionadas às pessoas com deficiência

Mais do que homenagens, as datas comemorativas relacionadas às pessoas com deficiência são oportunidades para se buscar a igualdade de condições e oportunidades, além de dar visibilidade à batalha diária de milhões de cidadãos e lutar por novas conquistas e avanços nessa área. Vamos conhecê-las?

Calendário com todos os meses do ano com sinalização de datas relacionadas às pessoas com deficiência.

Janeiro

Janeiro
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
4 Dia Mundial do Braille
24 Dia Mundial do Hanseniaco

Fevereiro

Fevereiro
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
23 Dia do Surdo-mudo
25 Dia Internacional do Implante Coclear
26 Criação da Comissão Permanente de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados

Março

Março
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
11 Criação da Fundação para o Livro do Cego no Brasil
21 Dia Nacional da Síndrome de Down

Abril

Abril
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
2 Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo
3 a 9 Semana da Responsabilidade Social
7 Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola
8 Dia Nacional do Sistema Braille
16 Dia Mundial da Voz
23 Dia Nacional de Educação de Surdos
24 Dia Nacional da Língua Brasileira de Sinais

Maio

Maio
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
11 Reconhecimento do Sorobã como Instrumento de Ensino da Matemática para Pessoas Cegas no Brasil
26 Dia Nacional do Combate à Cegueira pelo Glaucoma

Junho

Junho
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
9 Dia da Imunização
18 Dia Nacional do Orgulho Autista

Julho

Julho
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
6 Promulgação da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (2015)
10 Dia da Saúde Ocular

Agosto

Agosto
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
21 a 27 Semana da Pessoa com Deficiência nos Estados
21 a 28 Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla
25 Promulgação da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (2007)

Setembro

Setembro
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
17 Fundação do Instituto Benjamin Constant (Primeira Escola para Cegos da América Latina)
19 Dia Nacional do Teatro Acessível
21 Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência
21 Dia Nacional da Responsabilidade Social
22 Dia Nacional do Atleta Paralímpico
26 Dia Nacional do Surdo
27 Dia Mundial do Turismo Acessível
27 Dia Nacional dos Doadores de Órgãos

Outubro

Outubro
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
5 Promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
11 Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Física
15 Dia Mundial da Bengala Branca, símbolo que reconhece o Cego
25 Dia Nacional de Combate ao Preconceito contra as Pessoas com Nanismo.

Novembro

Novembro
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
10 Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez
Último domingo Dia Mundial do Surdo-cego

Dezembro

Dezembro
DIA COMEMORAÇÃO / HOMENAGEM *
3 Dia Internacional da Pessoa com Deficiência
9 Dia da Criança Especial
10 Declaração Universal dos Direitos Humanos
13 Dia Nacional do Cego
* Os nomes das datas comemorativas são os originais dados em sua criação.
Homem cego caminhando em um parque com piso tátil em cenário construído de forma lúdica e cheio de cores.

PARA PRODUZIR ESSA PÁGINA

com todo esse conteúdo acessível, passamos por muitos erros e acertos. Foi nosso projeto piloto de objeto de aprendizagem completamente acessível. Como queremos compartilhar esse conhecimento também com você, veja aí alguns pontos para os quais voltamos nossa atenção.
A criação do primeiro protótipo seguiu alguns passos tradicionais do nosso processo de produção e outros inéditos para a criação do produto acessível:
  • Elaboração de um storyboard (que é um arquivo que mescla o conteúdo em si com ideias da forma como ele será disposto e trabalhado servindo de guia para a criação) pensando na linguagem correta, nos recursos acessíveis como audiodescrição de imagens, inserção de interpretação em Libras, legenda para os vídeos, etc.
  • Na fase de criação, adequação das ilustrações e imagens para não incorrer em nenhuma interpretação preconceituosa ou que não traduza a intenção que queremos passar.
  • Podcast: testes e criação de programação com botões de play e pause para que ficassem acessíveis ao leitor de tela de cegos e com a transcrição escrita do conteúdo e em libras para surdos.
  • Testes e criação de programação que possibilitasse a inclusão de descrição das imagens para leitores de tela pagos e gratuitos.
  • Testes com zoom de tela para verificar como pessoas com visão subnormal estariam enxergando, evitando excesso ou falta de recursos.
  • Adequação do layout aos testes com leitor de tela, como atenção ao posicionamento dos elementos e aos espaçamentos de texto, que, se não pensados e testados, fazem com que o leitor de tela pause muitas vezes, quebrando o texto e dificultando a compreensão.
  • Animação: testes para avaliação do peso da imagem para determinadas redes, da qualidade mínima necessária, do efeito com a rolagem da tela, etc.
  • Elaboração da melhor estratégia para inserção do intérprete de Libras nos textos e nos vídeos. Foram feitos testes com o avatar do programa gratuito VLibras para os vídeos, mas, por ser um mecanismo automático, que interpreta palavra por palavra e não expressões ou ideias, o tempo de vídeo do avatar não coincide com o tempo de vídeo a ser interpretado, ficando cerca de três vezes mais longo, inviabilizando uma sincronização.
  • Criação de espaços e ícones próprios para a pessoa com deficiência auditiva (tanto os oralizados, como aqueles que usam a Libras).
  • Criação de soluções para inserção de um vídeo de Libras a cada bloco de informação, com caixas pop-up escondidas do leitor de tela de cegos via programação.
  • Criação de soluções de como instruir o surdo que utiliza a Libras sobre os conteúdos e links externos, que remetem para outros sites que não possuem interpretação em Libras.
  • Tentativas de alinhar os comandos de atalho do site aos utilizados em leitores de tela.
  • Quiz: desenvolver soluções para criar uma interface acessível ao leitor de tela para que se configure como um jogo de verdade e não meramente um arquivo que será lido. O mesmo vale para a interpretação de Libras para surdos, criando um sistema de cores no jogo para identificação do botão correto a ser apertado.
  • Calendário: criação de solução para trabalhar tela acessível.
  • Gravações dos vídeos: organização e previsão de tempo e atuação que permitam a inserção de audiodescrição, enquadramentos prevendo janela de interpretação de Libras, inserção de legendas, etc.

 

Centro de formação, treinamento e aperfeiçoamento da Câmara dos Deputados